sábado de carnaval

 

Ela disse que estava com aquela blusa desde as 8 da manhã, era Bon Jovi, ou Led Zeppelin, era sábado de carnaval.
Lembro da boca grande e grossa que zombava com cara de quem se sabia mais esperta que eu, ali, enfiada numa melindrosa com cheiro de 10 carnavais atrás.
Ela tinha quinze anos a menos e os cabelos loiros que caiam sobre os peitos já adultos, grandes e conscientes, duros e sem sutiã.
Era sábado de carnaval e a onda do MD batia junto com uma quase maturidade que me alarmava, mas ela tinha as pernas enormes, grossas e peladas num short jeans minúsculo.
Era sábado de carnaval e ela não usava nenhuma fantasia. Ela tinha ultrapassado uns três drinks e eu precisava de uns dois a mais. Era sábado de carnaval e as ruas estavam tomadas de um cheiro estranho de maconha, mijo, vômito e cerveja, menos ela.
Ela tinha um cheiro de suor e puberdade que eu preferia sentir entre as curvas da virilha, entre pentelhos loiros, espessos e espalhados, enquanto a bebia com a sede de um sábado de carnaval.
Ela sabia de tudo. Da boca, da cara, dos peitos-monumentos que dançavam entre os cachos do seu cabelo. Da minha vontade de lhe escalar as pernas e chupa-la ali.
Seguíamos juntas e desconhecidas um cortejo de gatos pingados que vibrava na mesma nota exaustão e euforia. Ela ostentava em pele e atitude tudo o que eu escondia,
e me desafiava seguindo num silêncio irritante de quem sempre sabe pra onde vai. Eu só seguia.
Era qualquer lugar escuro e perigoso perto da Praça Tiradentes, ela jogou sua boca na minha e se agarrou nos meus peitos pequenos enquanto eu enfiava meus dedos no seu rabo suado.
Desabamos numa escada suja, onde provamos cada gota de suor e gozo, eram 5 horas da manhã do sábado de carnaval. Já era domingo perto dali.